Doutorado – Engenharia de Software

No dia 21/03/2019 realizei minha defesa de mestrado, finalizando uma jornada que iniciou em março de 2016 (artigo). Felizmente, fui aprovado e o diploma está garantido, mas e agora? Nesse artigo eu vou falar um pouco da experiência de ter realizado o mestrado e discutir o que me fez optar por participar do processo de seleção do doutorado, também em Engenharia de Software.

Experiência no mestrado

Tempo disponível: Acredito que esse desafio existe para todos, o tempo é limitado e dependendo do escopo da pesquisa pode ser um problema. Pense bem no escopo do problema que você irá trabalhar para mitigar esse tipo de dificuldade. Além disso, quando se faz uma pós-graduação stricto sensu e realiza atividades paralelas (trabalho), o desafio de tempo extrapola o problema de duração do curso e passa para o equilíbrio entre pesquisa/trabalho e vida pessoal, em alguns momentos você vai se perguntar o que é feriado e final de semana?

Relação Pesquisa e Trabalho: Esse tópico está relacionado ao primeiro item (tempo disponível), porém, nessa parte me refiro a disponibilidade para os compromissos do mestrado (participar das aulas e compromissos internos, apresentação em conferências, etc). Nesse ponto, não tive problemas, principalmente, por participar de projetos da fundação COPPETEC dentro da própria UFRJ, onde existe maior compreensão sobre a importância desse tipo de compromisso.

Publicações: Embora no mestrado a exigência por publicações seja menor, principalmente, quando comparado ao doutorado. O incentivo e as vezes cobrança por parte dos orientadores para que os resultados obtidos sejam divulgados existe. Porém, é importante compreender que as publicações representam uma relação ganha-ganha, pois trata-se de um retorno para universidade, bem como para o(s) orientador(es), além de contribuir para o currículo do próprio pesquisador. Neste ponto, minha única crítica é focada no cenário que envolve as publicações científicas, e.g., valores praticados para participar de congressos/conferências, direitos autorais/cobrança para acessar o material publicado, etc. Além disso, vale destacar que os deadlines para publicação impactam negativamente os dois primeiros itens (tempo disponível e relação pesquisa e trabalho).

Finanças: Acredito que o principal objetivo de quem decide fazer uma pós-graduação stricto sensu não é o retorno financeiro imediato, porém, é interessante não ter prejuízo e se possível conseguir manter/aumentar os ganhos em atividades paralelas. Parece simples, mas muitos alunos não residem ou trabalham próximo da universidade por diferentes motivos (e.g., mudança de estado, baixa de empregos na área de estudo, etc). Felizmente, não tive nenhum problema neste tópico.

No geral, considero minha experiência no mestrado positiva. Conforme costuma ser apontado pelo(s) orientador(es), fica evidente o impacto do viés de pesquisa sobre o perfil do profissional praticamente (menos certeza, mais questionamento). Como questionar é um dos meus hobbies preferidos, aprender a questionar de forma científica está sendo interessante. ;)

O que me fez optar pelo doutorado?

A experiência desafiadora do mestrado foi um grande motivador para participar do processo de seleção do doutorado. Neste ponto, mesmo com ofertas para voltar para indústria (nacional e internacional), ainda acredito que existe uma direção interessante de aprendizado que pode me fazer crescer como profissional de indústria, bem como me inserir de forma mais qualificada na área de ensino e pesquisa, algo que vejo com bons olhos.

O lado financeiro é um ponto negativo, porém, este ponto é mitigado pelas bolsas das agências de fomento à pesquisa (valor baixo, fora da realidade do país), bem como por projetos como da fundação COPPETEC, que possibilita o exercício da função de maneira equilibrada e com bolsas de pesquisa melhores/complementares. Por fim, sempre existe a opção de realizar o curso em regime parcial, ou seja, trabalhando na indústria sem bolsas de estudo/pesquisa. Inicialmente, estou optando por iniciar o doutorado na primeira opção, principalmente, por questões relacionadas ao tempo dedicado para realização da pesquisa, que costuma ser maior quando fora da indústria.

Processo de seleção do doutorado

O processo de seleção para o doutorado no Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da COPPE/UFRJ não é muito diferente do processo de seleção de mestrado (artigo). Neste ponto, vale destacar que a etapa de prova escrita é realizada envolvendo os candidatos de mestrado e doutorado ao mesmo tempo. A única diferença no processo de seleção do doutorado é a obrigação de apresentar um plano de pesquisa escrito, que serve para a banca analisar se o candidato consegue elaborar um plano coerente visando uma linha de pesquisa específica.

No término do processo de seleção, os candidatos aprovados são classificados para realizar a distribuição das bolsas de estudo, para aqueles que solicitaram essa necessidade (restrito aos alunos de regime integral). No mestrado obtive suporte da CAPES e agora no doutorado obtive suporte do CNPq, que são agências de fomento à pesquisa.

Obs: No mestrado após fechar as disciplinas obrigatórias consegui obter também uma bolsa de estudo complementar (Bolsa Nota 10 – FAPERJ), relacionada ao rendimento dos alunos nas disciplinas de cada programa considerado de excelência na visão da avaliação da CAPES.

Próximos passos

O próximo passo dessa jornada é voltar à sala de aula e realizar as disciplinas necessárias para atingir o número obrigatório de disciplinas do doutorado. Em seguida, o desafio é pivotar e/ou detalhar o plano de pesquisa apresentado no processo de seleção para realizar o processo de qualificação. O último e mais complicado desafio do doutorado é executar de fato uma pesquisa de longo prazo e obter resultados inovadores, comprovados via métodos científicos.

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